Para ouvir:

Sortimento
Difícil afirmar isso, principalmente pra uma fã tão incondicional como eu, mas tenho considerado muito a possibilidade de encarar o Sortimento como o melhor disco da Zélia Duncan. Diria que é um dos discos obrigatórios de quem gosta da "nova" música brasileira.
Saraiva
Americanas.com
Submarino
Som Livre

Para ver:

Clube da Luta
Acho que mesmo que eu adorasse filme de porrada não teria gostado tanto de Clube da Luta. É surpreendente, tudo bem, mas o que me conquistou nele foi a loucura, que eu identifiquei como muito próxima da minha.
Saraiva (VHS)
Saraiva (DVD)
DVD World (DVD)
Submarino (DVD)

Para ler:

Diário Noturno
Sempre gostei de brincadeiras com a nossa Língua. Mas o livro do Gabriel, pra mim, vai além disso: é mesmo um instrumento de trabalho, que eu já aproveitei como exercício de articulação dos sons da fala, e vou usar em questões referentes a leitura e escrita. Recomendo especialmente para os fonoaudiólogos que me visitam.
Submarino
Saraiva
Sodiler
Siciliano

Para navegar:
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Terça-feira, Janeiro 29, 2002

A Folha de São Paulo on line publicou uma nota dizendo que Zélia Duncan foi atingida por latas de refrigerante no show pelo aniversário de São Paulo. O tom da matéria pode até deixar no leitor uma dúvida quanto à Folha estar ou não repreendendo a agressão do público. Como sempre costuma fazer, o jornal nem se atém a simplesmente dar a notícia, nem tem peito de definir uma opinião sobre o que publica. Aí, numa outra nota deles sobre o mesmo assunto, a dúvida sobre a opinião da Folha fica bem menor: eles deixam um pouco mais evidente que acham que a Rita Lee deveria era ter ficado lá até o final, em vez de terminar mais cedo o seu show.

Por sua vez, a Rita Lee também não foi muito clara quando disse que o show deveria ter sido em outro local. Associou o comportamento da platéia com o deus da guerra (Marte?), e disse que se fosse na Praça da Paz, o clima seria de paz. Misticismos à parte, o que pode estar sendo dito aí? Que as pessoas que vão ao Campo de Marte, zona norte da cidade, são mais violentas que as que vão ao Parque do Ibirapuera, pertinho do Jardim Paulista e do Jardim Europa? Ou, ainda, que a organização do evento falhou porque escolheu um lugar ruim? Mas quem organizou o evento? Não foi a prefeitura, que foi muio bem representada pela Marta Suplicy em pessoa?

O que eu estou achando engraçado nisso tudo é a facilidade que houve em se falar mal das coisas, mas sem dar nome aos bois, sem encarar as pessoas que estão sendo criticadas. Mole, né? A Folha critica, mas não abre mão de permanecer em cima do muro, ora destacando o que fez o público, ora questionando a interrupção do show. E Rita Lee critica as autoridades, mas não se nega a participar de um show promovido por elas e ainda receber a prefeita de São Paulo em seu palco.

A diferença é que, embora ambas, Rita Lee e a Folha, sejam formadoras de opinião, quem tem por excelência que se preocupar com veracidade e clareza é o jornal, que, pelo que se sabe, existe pra informar. Aí volto ao que disse no meu último post, ou num dos últimos: é por isso que não tenho mais paciência pra imprensa!

Aqui está uma das notas que citei ali em cima. (A reprodução está fiel ao publicado, não me respnsabilizo por eventuais cagadas literárias ou de estilo.)

Rita Lee interrompe show e xinga platéia no aniversário de São Paulo
(da Folha Online)
Não mexam com Rita Lee, a senhora do rock nacional. Esta é a impressão deixada depois que ela abandonou o palco durante o show em que comemorava o aniversário de 448 anos de São Paulo, depois que foram arremessadas várias latas de cerveja no palco.
Rita Lee xingou a platéia e deixou o palco, acenando com a mão. O show de Rita Lee começou às 19h20, mesmo com a forte chuva que atingiu a cidade. Ela entrou no palco depois da apresentação dos roqueiros do Titãs, que foram acompanhados por 20 mil paulistanos por mais de uma hora.
Quando entrou no palco, Rita Lee foi amigável com a platéia: "Sampa, velha de guerra, minha querida São Paulo", disse. "Não estamos aqui para chorar o leite derramado, mas a gente está puto com tanta violência, tanta corrupção e tanta impunidade. Chega de bundamolice."
No meio da apresentação, a cantora chamou a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), ao palco. Marta pediu um minuto de silêncio contra a violência e em homenagem ao prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, também do PT.
Rita Lee interrompeu o show do aniversário de São Paulo quando estava com Zélia Duncan no palco cantando músicas sobre a cidade. Duas latas de cerveja foram arremessadas no palco e atingiram Zélia Duncan. Foi quando Rita Lee explodiu: "Que feio. Minha cidade não pode fazer isso. Não é minha cidade. São uns três ou quatro. São os palhaços do crime. Deus é mais e a justiça divina é mais ainda. Tchau!", e abandonou o palco, às 20h30.
A platéia, sem saber o que fazer, pediu a volta da cantora. Alguns espectadores, no entanto, começaram a xingar a roqueira. O show, no entanto, terminou mesmo, e o público assistiu à desmontagem do palco e teve de ir embora.
Por
Vanessa às 19:51 | comentários


Quarta-feira, Janeiro 23, 2002

Elis Regina
Estava vendo no Globo News um Arquivo N sobre a Elis. Como cantora frustrada, não posso deixar de render a ela toda minha admiração. Mas mesmo admirada com sua presença de palco, as caretas, as particularidades, não podia deixar de estar desconfortável por gostar tanto de ouvi-la cantar bossa nova. Sei lá, gosto de bossa nova, mas não tudo. E mesmo na voz de Elis as canções ficavam todas meio parecidas entre si.

Aí veio o Milton Nascimento falando dela, várias coisas, mas o que me despertou particular interesse foi ele dizer que o César Camargo Mariano** veio completar, trazer pra (música de)* Elis o que estava faltando. Que conforto ouvir isso! Que alívio!

Porque foi isso mesmo. Começou a rolar gravações dela com ele tocando, e aí tudo mudou. Veio a emoção que não conseguia se destacar nas bossas novas. Pareceu que sua genialidade ao cantar pôde ser mais explicitada, mais aproveitada. Fiquei parada ouvindo, vendo, com minhas filhas dormindo no meu colo e do meu lado, pensando nos filhos dela que trazem consigo um pouco dessa genialidade... Fiquei satisfeita por ver que admirar Elis Regina não é só óbvio, mas possível, porque ela tinha mesmo esse troço genial que eu tanto gosto de ouvir nos bons cantores.

*Estou supondo que o que o Milton quis dizer é que a música dela que ficou completa... ** Não conheço nada de César Camargo Mariano, nem sei se já gostei de ouvi-lo, mas se ele foi responsável por esse diferencial na carreira da mulher dele, enfim, isso pelo menos é admirável nele.

Eu e meus programas de televisão... Fazer o quê, tenho duas filhas e não tenho grana. Pelo menos tenho tv a cabo, e quandovejo bons programas é que volto a ficar na dúvida se vale a pena cancelar. Já que a diversão é medíocre, que pelo menos seja variada...
Por
Vanessa às 23:04 | comentários


Quinta-feira, Janeiro 17, 2002

O Correio Braziliense publicou uma matéria intitulada A dor do rock nacional, em que relaciona mortes e acidentes ocorridos com músicos brasileiros dos anos 80 e 90. Na minha opinião, colocar no mesmo saco Herbert Vianna, Marcelo Frommer, Renato Russo e Cássia Eller é mais que um equívoco. É, antes, um engodo, uma forma de atrair atenção pra uma matéria que, se fosse mais verdadeira, não teria destaque algum.

Comparar a aids de Cazuza e Renato Russo, contraída num tempo em que mal se falava sobre a doença, quanto mais sobre a prevenção; o atropelamento de Marcelo Frommer, o acidente aéreo de Herbert Vianna e o acidente de carro de Chico Science; a suposta overdose de Cássia Eller e os confirmados envolvimentos com drogas de Roger e Lobão é tentar igualar fatores que misturam acaso com uma possível irresponsabilidade.

Contaminar-se com HIV hoje em dia, isso sim é muita irresponsabilidade, assim como não ter cuidado com doses excessivas de drogas. Mas o que isso tem a ver com ser atropelado no parque quando se está andando de bicicleta? Isso não é justamente o oposto do que o jornal, ao que parece, condena como atitudes irresponsáveis?
Sinceramente, tenho cada vez mais preguiça de ler jornal, porque o objetivo é vender, e não informar e formar opiniões.
Por Vanessa às 12:40 | comentários


Sábado, Janeiro 12, 2002

Saramago

Ganhei de aniversário o Cadernos de Lanzarote, a edição de um diário de José Saramago. Na primeira vez em que o vi na livraria, tive uma certa dúvida: seria tão bom quanto seus romances? Com o tempo, a cada nova visita às livrarias, passei a paquerá-lo e adorei quando ganhei o livro, é uma delícia receber de presente algo que a gente deseja muito.
Ainda 'tou no começo, mas 'tou adorando. O fato de não ser uma história é interessante, porque, se por um lado não dá aquela curiosidade, quase necessidade de ler logo, pra saber "o que vai acontecer", por outro faz a leitura render muito, são inúmeras coisas interessantes que vão aparecendo com o tempo, e que me dão impressões as mais diversas.
Talvez em primeiro lugar venha meu prazer em ler alguém que domina como poucos a língua portuguesa, uma das minhas maiores paixões, e nesse caso a que se fala em Portugal, tão diversa em vocabulário e construções da "nossa" língua portuguesa. Gostaria de saber de outras pessoas, além do meu pai, que expressam ou pelo menos compreendem essa alegria aparentemente estranha de apenas ler algo bem escrito pra burro, porque na maioria das vezes que falo isso tenho a sensação de que me olham meio como um E.T. Mas o livro me traz também a velha impressão que tenho da minha leitura pouca, sempre insuficiente, minha cultura medianíssima que sempre quis enriquecer. Se por um lado é uma sensação meio ruim, por outro me fez tomar uma decisão, mais com cara de desejo que de determinação mesmo: a de listar os autores que Saramago menciona e lê-los, se não a todos, pelo menos alguns. Já me fiz várias "promessas" desse tipo e sei que sou indisciplinada demais pra cumpri-las todas, mas o fato de ter tido uma idéia como essas já me anima, por deixar no canto da mente essa vontade que um dia pode acabar se tornando atitude.
Ainda falarei mais do Cadernos de Lanzarote e dos assuntos que descubro nele.

Por Tatiana às 12:26 | comentários


Sexta-feira, Janeiro 11, 2002

A Cartada Final

Tudo bem, nós vimos quase na última sessão aqui em Brasília, mas não custa nada falar dele nesse meu retorno.
Bom, eu tinha ficado interessada quando vi o trailler, por causa do elenco. Robert de Niro, que em tese dispensaria comentários, e Edward Norton, um dos melhores atores, digamos, jovens, no mesmo filme me parecia uma boa combinação. E ainda tinha o Marlon Brando, que, apesar de não me despertar nenhuma grande impressão de genialidade, é um ator de respeito, pelo menos.
O caso é que é apenas mais um filme de ladrões geniais, previsível no conflito e no desfecho. Ainda que a narrativa não valesse por originalidade, compensaria se houvesse uma grande atuação do elenco aparentemente especial. Não houve: Edward Norton já fez aquilo antes, Robert de Niro já fez inúmeras vezes e Marlon Brando é apenas um ex-galã, e nesse ponto é meio deprimente ver quão morbidamente gordo ele ficou.
Uma pena o filme, achei que teria grande diversão, mas saí da sessão com aquela impressão chata de que perdi uma chance, que tem sido meio rara, de aproveitar o cinema, de longe uma das minhas diversões favoritas.

Por Tatiana às 09:47 | comentários


Por Tatiana às 09:45 | comentários


Terça-feira, Janeiro 01, 2002

Duas de minhas melhores amigas me escreveram falando, lá na sua forma particular de se expressar, como ficaram sentidas com a morte da Cássia Eller. Fiquei comovida lendo seus emails, porque não sabia que elas gostavam "tanto assim" da Cássia.
A Raquel até falou que viu o Nando Reis falando que ela não gostava muito de compor, mas quando cantava uma canção parecia que tinha sido feita por ela. E é essa sensação mesmo que a gente tem quando ouve Cássia Eller, inclusive falei mais ou menos isso quando comentei do trocar o cheque que ela falava, porque não conhecia o Cazuza, autor, "falando" essa música.
Quando escrevi o post anterior, fiquei pensando no lance da causa da morte da Cássia Eller. Ia falar que não importa o que a levou, o que importa é que infelizmente ela se foi, e por enquanto ("nada mudou", mas "está tudo assim tão diferente") não vamos ter de novo sua voz em novas canções, novos discos e novos shows.
Se foi por excesso de droga ou não, e daí? A gente pode chamar de burrice, de irresponsabilidade, mas tem muita gente por aí falando dela, mas que enche a cara de cachaça e depois sai de carro, o que dá no mesmo. É o mesmo risco, o mesmo jogo de sorte, só que com outros dados. Então, que que a gente tem que se meter a discutir se ela estava certa ou errada? Eu, do meu lado, só tenho a lamentar, porque gosto muito de ouvir a Cássia Eller cantar. Sei que tenho muitos discos pra ouvir, mas é uma pena saber que vamos ficar só neles.

Aliás, ganhei o Ao vivo de 1996, que queria há muito tempo, e é realmente ótimo. Aquela Nós é o máximo! Dá vontade de ouvir mil vezes seguidas! E Eu sou neguinha?, então? Parece que foi feita por ela, e olha que eu já tinha adorado a canção com o Caetano. Discão, imperdível!
Por
Vanessa às 16:37 | comentários




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